

Foto: Chegada na Bahia / Minha barraca 5 estrelas
Fiz uma viagem missionária à uma tribo de índio Pataxó, onde registrei em meu caderno cada momento. A viagem começou dia 03/07/2010 e terminou 14/07/2010.
Desde que voltei estou para postar os escritos da viagem. Ontem acabei pegando meu caderno e lembrando. Então aí está, do jeito que escrevi.
PRIMEIRO E SEGUNDO DIA
Saída de Belo Horizonte. Confesso que surgiu um desânimo...Pessoas novas, cultura diferente, banho em rio e 10 dias pela frente. Ixi, mas vamos lá!
5h da manhã lá estava eu encontrando o grupo no bairro Buritis. O quê? Uma Van para tantas malas, doações e 14 pessoas? Exprimida fiquei sem poder me curvar e com o colo cheio de objetos. 6h assim saimos de Belo Horizonte.
As pessoas tomaram Dramin e eu recusei. Ora...eu não costumo passar mal mesmo. 10 minutos após esse pensamento comecei a passar mal, senti que não ia aguentar aquela viagem de 14 horas desse jeito. Será que falo a eles que estou assim ou espero? Logo lembrei do que uma pessoa (Silvana) me disse uma vez: "Mesmo que pareça que vai ser difícil, Deus não vai te abandonar e te dar coisas ruins, pelo contrário, Ele cuida de você! Aconteceu comigo."
Bom, ela tinha razão, pois logo a Van parou na barreira da polícia. Enquanto o motorista resolvia o problema, a líder percebeu que eu estava pálida, então me deu Dramin, mandou todos abrirem as janelas. Eu senti que ia vomitar, mas até sair de onde estava e ir para fora ia ser uma tarefa bem difícil. O enjôo foi passando e o motorista voltou, dizendo que não perguntaram nada demais. A líder disse: "Eu sei porque paramos. Era por causa da Priscila."
Bom, eu melhorei e continuamos a viagem com muita brincadeira, risos e paradas.
Após horas chegamos a Itamaraju, última cidade que passamos. Iamos tomar banho na rodoviária, porque já era tarde e tínhamos mais 2 horas de estrada de terra para entrar na mata. Acabou que não deu. Suados e cansados fomos embora assim mesmo.
Chegando na estrada de terra alguém começou a orar, visões foram dadas a várias pessoas, de correias sendo libertas enquanto estávamos louvando, e enquanto orávamos algumas pessoas viram anjos apareceram e o que estava prendendo a van passou. Louvamos, oramos em línguas, choramos, revelações foram dadas. Enfim, chegamos na "casa" de uma família de índios, que agora são missionários (o projeto tem 3 anos que existe e alguns dos índios que vivem perto já foram evangelizados. E esse casal de índios mora mais afastado e ajudam na evangelização dos outros, mesmo sabendo pouco). Fizemos serenata para eles e seus quatro filhos. Na verdade fizemos a serenata porque os líderes falaram que iríamos acampar na aldeira principal e não na "casa" desse casal, portanto poderia surgir ciúmes. E como não tem como ter contato com a tribo, ninguém sabia da nossa chegada). Mas acabamos ficando aqui mesmo por motivos de segurança e direção de Deus.
Logo me deparei com uma indiazinha (filha do casal), com aquele jeitinho tímido nem me deu muito papo!rs
Armamos as barracas de qualquer jeito, até porque já era 1h da manhã e estava muito escuro, mesmo com o gerador novo que ganharam na última vinda do projeto.
Dormi me sentindo suja, custei a dormir por causa de um ronco da barraca vizinha, e porque a barraca ficou pequena para mim e a Suzi.
Bom, eu não tinha uma mala, e sim uma mochila gigante cheia de roupa, lençol, etc. Para tirar uma peça de roupa tinha que tirar todas as outras. Como no momento não tinha espaço na barraca, ficava tudo na Van. Tava tudo uma bagunça!rs
Acordei cedo com os outros, fomos tomar banho no rio. Temos que descer um morro bem grande para chegar até ele. Que experiência! Estava murmurando nos pensamentos e pensando que haviam muitos dias pela frente.
Depois do banho (só com mulheres, claro!rs) lá fui eu subir o morro de volta arrependida dos pensamentos anteriores, porque o banho foi ótimo, a água estava fresquinha!
Fomos armar a lona para colocar todas as barracas juntas, e sobrou várias, logo eu fiquei sozinha em uma, tirei as coisas da mochila e coloquei aqui do meu lado. Oh coisa boa! Não vou ter mais o problema da embolação na mochila! (Lembrei do que a pessoa disse de novo).
Tivemos um culto aqui. Tem tipo uma "igrejinha" aqui na frente da casinha desse casal de índio, que eles mesmo construíram, porque queriam fazer cultos para os outros virem. Como era Domingo eles (casal de índio) fizeram o culto, só havia nós do grupo e mais uma família da aldeia vizinha. E que culto, viu! Eles estavam cheios da unção!
O dia foi mais para descansar . Tirei um cochilo na minha barraca 5 estrelas e até comi mandioca, arroz e feijão misturado. Até na comida Deus está cuidando de mim!
São 3 aldeias, amanhã acho que vamos conhecer a aldeia principal, que é 8 km daqui.
Bom, decidi escrever já que aqui se dorme tão cedo (19h), e estou sozinha na barraca! Então já vou indo, a lanterna está quente e o viziinho de barraca já está roncando.
Amanhã continua...
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